terça-feira, 10 de setembro de 2019

Domingo em 84

Fala rapaziada! Beleza?!

Ontem, o Esporte Clube Vitória anunciou que mandará seus jogos, a partir do próximo sábado, na Arena Fonte Nova. E quantas recordações boas a Fonte Nova me traz. A lembrança mais antiga, data de 1984. Um BAVI. E que BAVI. Já entramos no estádio com o jogo começado e com um penalti marcado a favor do Vitória. Na minha cabeça, de uma criança de 08 anos, era certo que Lula Mamão, eu tinha uma camisa numero 8 em homenagem a ele, iria cobrar e sairíamos na frente do placar. Eis que Ricky coloca a bola na marca da cal e diz que quem bate é ele! E bate. E Ronaldo defende. E o juiz manda voltar. Polêmica. Confusão. Esperança de Lula tomar a bola e cobrar dessa vez. Nada. Depois de 15 minutos, Ricky repete a cobrança e Ronaldo defende novamente. Uma ducha de água fria. Pra completar, o excelente zagueiro Fernando falha e o Bahia faz 1x0. O filme desse jogo é perfeito em minha mente, mesmo depois de 35 anos. Era o começo de duas paixões. Pelo Vitória e pelo estádio.

Foram incontáveis jogos, sempre com meu pai, meu avô, meu padrinho. Muitas rodadas duplas, tão frequentes nas décadas de 80 e 90, muito caldo de cana e suco no saco plástico. Até que veio a "independência" futebolística de estádio em 92. Não precisava que ninguém mais me levasse à Fonte Nova. E fui em muitos jogos da campanha da série B de 92. E continuei a ir na linda campanha do Brasileirão de 93, ao som de Chocolate da Bahia e sob o encanto de Alex Alves, Paulo Isidoro, Roberto Cavalo, entre outros. Era bom demais ir na Fonte. E veio 94. E se pudesse tinha acabado esse ano em Julho. Vi o Vitória dar 2 chocolates no Bahia. 4 x 0 duas vezes, fora o baile. Mas aí, apareceu um sujeito de nome Raudinei, que nem titular era. E não é que o desgramado fez aquele gol. Que raiva do técnico do Vitória que não levou um zagueiro para o banco. Que raiva de João Marcelo, que mais uma vez pipocou com a camisa do Leão, como já havia feito contra o Palmeiras no ano anterior.

E aí surgiu o Barradão. E aí a Fonte Nova foi se deteriorando até sucumbir em tragédia. Então, em 2013, foi reconstruída. Padrão FIFA, sem o mesmo charme, sem a mesma energia. Mas, estava presente na sua reinauguração. E que presente recebi. Um 'showcolate". 5 x 1, fora o baile. Depois um 7 x 3. Outro baile, mas confesso que o encanto não é o mesmo. Tive o privilégio de assistir uma Copa das Confederações, uma Copa do Mundo e uma Olimpíada na nova Arena, bem mais confortável, que te protege da chuva e tem banheiros limpos, mas, confesso senhores, nada será tão inesquecível quanto aquele domingo de 84 em que meu pai me apresentou um grande amor de minha vida!